E como dizem, a vida é uma montanha russa. Aquele sobe-desce-sobe-desce que contempla sensações de adrenalina na subida, de medo da descida, de querer tudo novamente e o alívio por chegar em terra firme.
Em certa música do Tihuana, é dito: 'mentir pra si mesmo é como não ter pra onde ir'. Relacionando com o parágrafo acima, por muitas vezes deixamos o tal extasy da escalada nos dominar e a imaginação de que podemos tudo e que liberdade é fazer o que se tem vontade - independente das conseqüencias - esquecendo de ver se estamos sendo sinceros não só com os que estão a nossa volta, mas com nosso próprio interior.
A hora de descer traz todo aquele frio na barriga e com ele, vem o sentimento de 'putz, acabou'. Sentimento de perda, além de fazer uma dor insuportável no fundo da alma, traz aquelas perguntas intoleráveis e filosóficas do tipo: o que poderia ter feito para ser diferente? Onde foi que eu errei? Como fazer para seguir o caminho correto agora? [...]
Todo mundo passa por isso não só um dia, mas vários durante toda a existência. Se destinar ao pico da montanha e viver toda ansiedade para saber como será quando chegar lá é gostoso, prazeroso. O conflito é quando estamos descendo e todo medo bate na porta do eu.
Conversar consigo mesmo é a mais dura das tarefas, em minha opinião. E o problema em se deixar levar pela sensação maravilhosa durante a montanha russa da vida não está nas companhias que escolhemos para sentar no carrinho que percorrerá os trilhos. Somos donos de nossas próprias atitudes, desta forma, somos os responsáveis.
Vamos conhecendo gente que entra e sai do percurso, algumas que acrescentam, outras que nos deixam mais confusos ainda na busca de saber quem somos e onde queremos chegar. Durante o trajeto, podemos querer sentar no mesmo banco que algumas pessoas, pois achamos que daquele jeito tudo pode ser melhor. Vamos imaginando formas de viver a vida, de conseguir o que queremos e inventando características para nossa personalidade.
Sabemos que tudo é tão rápido que quando o carrinho sobe, já começa a descer desordenadamente pelos trilhos - às vezes bem enferrujados - de nossa montanha russa. Tanta pressa, correria e falta de atenção fazem com que pedacinhos de nosso ser fiquem perdidos e no lugar destes, apareçam alguns totalmente diferentes do que esperavamos. Nisso, valores, princípios e até objetivos acabam sendo trocados por outros que nem sequer sabemos porque queremos; escolhemos durante o clímax da viagem e sem pensar muito bem e calcular possíveis prejuízos, mudamos. Nos tornamos pessoas totalmente diferentes das que eram no início do trajeto.
E no final, corremos o duro risco de encontrarmos apenas salgadinhos amarelos, e não moedas de ouro. Como nem tudo que reluz é deste material, a rapidez inesplicável com que as coisas acontecem acabam nos possibilitando de enxergar o que realmente é necessário e onde queremos chegar, além de talvez, perdermos de vez nossa identidade e esconder lá no fundo a essência única que cada um possui.
Não. Não acredito e voto para ficarmos parados por medo de tudo isso acontecer. Acredito que, às vezes, o melhor caminho é a dor, são as perdas, as desilusões e por fim, as indagações de porque a vida resultou em tudo isso. Questionamentos sempre trazem respostas. Tudo tem um motivo e nada é problema: são apenas situações - algumas bem duras e difíceis de serem enfrentadas - que nos mostrarão quem realmente somos e onde desejamos chegar.
Esse é o grande barato da vida e ser experiente pode ser aquele que sabe como se comportar em cada subida e descida nessa montanha russa maravilhosa de sensações e sentimentos.
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