sábado, 29 de novembro de 2008

Maria

E agora, Maria?
E agora, Maria?
Acabou a festa,
A bolsa caiu,
Apagaram-se as luzes...
Esquentou a Poesia...
Depois esfriou
O povo sofreu
De bolso vazio...
E agora, Maria?
Onde anda você?

És inominável?
Musa que zomba,
Que vê a novela,
Que dança e samba...
Que des.faz o ver.só,
Protesta, declama
Ama e reclama...
Clama por amor...
Você onde anda?
Maria, e agora?

Está sem carro
Perdeu o concurso
Não veio o consórcio
O sócio sumiu,
O táxi atrasou
Perdeu o juízo
Dói o dente siso
E tudo parou...
Já não pode andar
Não há mais sorriso,
O bicho pegou...
Nada aconteceu
A vida passou,
O tempo correu,
O sonho desveio
Virou pesadelo...
E agora?
Quer parar de fumar,
Sorver a cerveja,
Água de beber
Ver a natureza...
Quer sobreviver
Ao caos e a dor...
Veio a tempestade,
E tudo morreu
E tudo acabou...
E agora, Maria?
Maria, e agora?
A palavra indócil,
Desejo febril,
O eco do fuzil,
A bala perdida,
O jogo de azar,
O azar no jogo,
O cheque sem fundo,
O jugo, o logro,
O juro, o lucro
O desfalque no erário
O lote invadido,
O empréstimo bancário,
O imposto de renda,
A contravenção,
O vil peculato,
A corrupção,
Seqüestro - relâmpago
O medo, o pavor...
O descontentamento,
A desilusão
A promessa vã
E agora, Maria...?
O cartão de(s)crédito,
Nota promissória,
Medida provisória,
O livro de ouro,
O bingo, a sorte...
A morte do amor...
E agora, Maria?
A fome que assola
Criança sem escola,
O homem sem-terra,
Sem-teto, na esmola...
E agora?
Juro sobre juro,
Ágio, extorsão,
Água poluída,
A conta vencida...
O computadoido,
Internet, ilusão...

Seu sonho - e agora?
Virou devaneio
O mar que não veio
E agora, Maria?
Quer abrir a porta,
Não há chave,
A chave sumiu...
Quer ir par a Marte?
Só há deusa morte...
Quer rever o mar,
O mar soçobrou...
Maria, e agora?

Pare...Pense...
Reflita - Dance,
Grite, gema,
Durma, Sonhe,
Acorda Maria...
Resista....
Você não desiste...
Maria, você é forte...
E agora, Maria?

Num canto do muro,
Sozinha, no escuro,
Sem cosmogonia...
Feito bicho-grilo,
Fugindo a galope...
És bicho - do - mato,
Na grande cidade,
Na alma , a saudade
...
Para onde ir?
Maria , e agora?
E agora , Maria ?
O que queres de mim?


--
versão de Gustavo Dourado.
agora dá licença porque a Maria precisa ir ao banheiro vomitar o resto de Marissa Cooper que ainda resta.

José

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?

E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, pra onde ?


--
do meu colega Drummond.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Storm;

[How long have I been in this storm?
So overwhelmed by the ocean's shapeless form
Water's getting harder to tread
With these waves crashing over my head

If I could just see you
Everything would be all right
If I could see you
This darkness would turn to light

And I will walk on water
And you will catch me if I fall
And I will get lost into your eyes
And everything will be all right
And everything will be all right

I know you didn't bring me out here to drown
So why am I ten feet under and upside down
Barely surviving has become my purpose
Because I'm so used to living underneath the surface

And I will walk on water
And you will catch me if I fall
And I will get lost into your eyes
And everything will be all right
And everything will be all right]

storm - lifehouse

--
storm + trying from lifehouse; these are the bests songs of my week;
storm + trying de lifehouse; estas son las mejores canciones de mi semana.

Lingüística x Gramática

Definitivamente, ainda estou em cima do muro e é extremamente notável. Desde que comecei a aprender a ler e escrever, aos 5 anos, sempre gostei do 'correto' e criticar quem falava e/ou escrevia errado. Obviamente, não sou a perfeição na língua portuguesa, mas minha luta era para manter nossa língua conservada, sem os irritantes 'pobremas que estarão trazendo menas' qualidade de vida; entre outras palavras, o mal uso do português, como dizem os gramáticos.

Cursar letras torna esta opinião contraditória, já que o discurso passa a ser em torno do famoso 'preconceito lingüístico'. O que é e como se faz? Bom, há vários tipos e várias maneiras de se praticar, e exemplificando a resposta, usaria o termo 'é certo falar assim porque se escreve assim'. Meu conceito foi transformado quando aprendi o que é tão lógico, mas que nunca associamos ao criticarmos: a fala surgiu primeiro que a escrita; desde a época do homem das cavernas, ela foi uma das primeiras formas de expressão da humanidade. Com o tempo, houve a necessidade de simbolizar aquelas palavras, e com isso, surgiram as letras. Elas apenas representam, não são o significado. Logo, se a escrita surgiu com a função de símbolo, por que ela é quem deve ditar como se deve falar?

Fica complicado explicar quando tudo é novo e as idéias vivem em conflito. Não consigo ser contra o querido professor Pasquale, o qual 'Caetaninho' elogia abaixo. Mas, também, não consigo admitir a forma a qual ele usa para dizer que as outras formas são erradas e que é assim o correto e ponto final. Seria fantástico a repercussão que um tiozinho causaria em sua comunidade dizendo 'nós iremos' ao invés do famoso 'nóis vai'. Com certeza todos seus companheiros iriam rir e até crucificá-lo. Se essa não é a realidade dele, como vou obrigá-lo a dizer o que a norma culta pede?

A correção se tornou uma cruz, que se torna gostosa de se carregar quando há o conhecimento do assunto. Não posso mandar a coitadinha da operadora de telemarketing para o inferno somente por usar o odiado gerúndio. Quem disse que ela está errada? A forma usada por ela não está exatamente da forma que nossa língua culta pede, mas ela se expressa e todos entendem muito bem. Ao mesmo tempo, não vou deixar a infeliz estar usando esta melodia tão bela para meus ouvidos; vou corrigi-la sim, mas utilizando os argumentos que tenho aprendido em sala de aula:

Não existe certo e errado, apenas existem as formas padrão. Nossa língua é passível de mudanças e evoluiu muito desde que surgiu, lá atrás, pelo latim vulgar. É por estes 'errados' que ocorrem mudanças que serão vistas, talvez, somente por nossos filhos.

Não digo que não é importante usar a forma culta da língua - principalmente se você está inserido no mercado de trabalho. É importantíssimo dominar algumas regras básicas, pois elas lhe trazem credibilidade e respeito, nossa sociedade é assim e observa excessivamente isso. O que não vale é ficar cego e criticar meio mundo por causa de um erro.

Será uma longa caminhada. Os gramáticos que me perdoem, mas a apaixonada pela correção aqui está trocando de time. A lingüística consegue explicar e ensinar muito mais, principalmente o respeito pela cultura dos outros; ela permite ver que as coisas mudam, principalmente as variações no idioma, sem criticar e ficar com um pé atrás achando que nossa língua está em decadência.

E, me obrigo a finalizar da mesma forma a qual iniciei o post: estou em cima do muro. Tenho excelentes professores e um conteúdo magnífico elaborado por gente que entende do assunto, como o Saussure. Há apenas mais uma semana de aula, mas me restam mais 2 anos para entender toda essa confusão entre Lingüística x Gramática.

--
A vida continua e amanhã é sexta. Tudo está acontecendo tão rápido que mal dá tempo de assimilar. Vamo que vamo.


terça-feira, 25 de novembro de 2008

Viva Caetano, parte I

LINGÜISTAS
2/09/2008 1:51 am

Peço perdão a C por interromper o que quer que seja que estávamos falando (o que era mesmo? sobre críticas e a imprensa? alguém pensou que era contra São Paulo? jamais: estou muito no Rio mas gosto muito mais de São Paulo sob vários pontos de vista - um dia volto a esse antigo tema): preciso dizer a Lucas Matos que eu nunca escrevi que lingüistas não amam a língua portuguesa - e que quando falei em demagogia eu me referia a determinados argumentos que vi publicados, não a todos os lingüistas. Não preciso ser especialista na disciplina para me manifestar. O que escrevi foi: “Sou apaixonado pela língua portuguesa e por gramática (ao contrário de lingüistas e demagogos em geral, acho o sucesso público de figuras como o professor Pasquale um bom sintoma).” Já li e ouvi de diversos demagogos (alguns eram lingüistas) reações enraivadas à presença pública de Pasquale e outros gramáticos que dão dicas em revistas ou na TV. Diferentemente deles, acho um bom sinal que tal fenômeno tenha surgido e crescido. Não há nenhum charme de falar sobre o que não sei aí. Sei muito bem de tudo isso. Quanto à lingüística propriamente dita, li Saussure (aquelas aulas) no início dos anos 70. Li somente porque os poetas concretos falavam dele, Lévi-Strauss (cujo “Tristes trópicos” me apaixonou em 1968) falava dele, todos falavam de Jacobson, que falava dele. Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais. Nunca vou esquecer sua observação de que o francês é a única língua ocidental que tem uma palavra cuja grafia não guarda nem um só dos valores fonéticos originais das letras que a compõem: “oiseaux”. Depois, entre muitas outras conversas, observações e leituras, fui nuançando essa visão. Para meu governo (tenho uma vida mental íntima, como todo o mundo, que não se desenvolve para publicar-se: aqui no blog naturalmente essa vida íntima se expõe mais, mas é só uma tênue película - como sói acontecer.). Há já um bom número de anos, fui fazer show em Campinas e um professor da Unicamp me entregou um presente: o livro de uma lingüista, com uma dedicatória bonita (”Para Caetano, com as palavras que me faltam”). O livro era sobre português europeu e português brasileiro. Talvez surjam aqui imprecisões, já que perdi o livro numa das mudanças que se seguiram à minha separação - e muitas vezes o confundo com um outro, de autoria coletiva, chamado “Português brasileiro” (título e expressão que adoro). O da professora era escrito num português excelente e tudo nele me interessava. Mas havia coisas que me ficaram como questões numa discussão que nunca se deu. Por exemplo: ela assumia de uma vez por todas que a segunda pessoa do singular não existe no Brasil. É “você” e acabou. A segunda do plural, então, já tinha morrido antes de o Império terminar. Considerava também como inexorável o desaparecimento futuro das conjugações reflexivas (os verbos pronominais). Ora, eu acho que os gaúchos dizem “tu” a torto e a direito (talvez mais a torto do que a direito); os cariocas conjugam, com muita ginga, verbos na segunda pessoa para enfatizar ironia ou agressividade (”tás me estranhando!”, “tás por fora”, “tens cara de veado” etc.) e usam o “tu” para mostrar informalidade (”tu é gay, tu é gay que eu sei”, o Maracanã grita para alguns jogadores; meu filho de 16 anos diz a seus amigos - e ouve deles - coisas como “tu vai lá e chega na mina.”); os pernambucanos perguntam sempre “viste?” - que muitas vezes eles suavizam para “visse?”; os paraenses conjugam o verbo na segunda pessoa, quando escolhem “tu” em vez de “você” - e muitos deles usam o possessivo na segunda do plural (a um casal ou grupo de amigos perguntam: “esses livros aqui são vossos?”). E, seja como for, todos os brasileiros, inclusive (talvez mesmo principalmente) as crianças entendem as letras das canções de Orestes Barbosa ou de Chico Buarque em que o cantor se dirige à amada na segunda do singular. Não se pode dizer que todas essas pessoas não possuam esses recursos da língua. Muito menos que as estará oprimindo quem lhes explicar como funcionam. Por outro lado, meus amigos baianos e cariocas (inclusive muitos semi-analfabetos) riem dos mineiros (e de alguns falantes do interior de São Paulo) quando eles omitem o pronome dos verbos reflexivos: “paixonei com ela” (em vez de “me apaixonei por ela”), “espera eu aprontar” (em vez de “espera eu me aprontar”), “assustou” (em vez de “se assustou”) etc. Lembro que, no livro, a professora indicava tratar-se de tendências. Mas, além de ela dar valor normativo a essas tendências, o argumento de que qualquer transmissão de conhecimento relativo à tecnologia da língua é opressão era recorrente. Essas eram questões que gostaria de discutir com ela. Mas meu tempo foi sempre escasso - e temi importuná-la e tomar seu tempo. Depois perdi o livro. Volto a pensar nessas coisas (e em outras que encontrei, nascidas das descobertas de Noam Chomsky) sempre que vejo reações públicas de lingüistas a qualquer exposição de paradigma culto. Finalmente, li uma entrevista na Caros Amigos, que me foi enviada por Tuzé de Abreu, de um lingüista que escreveu “A norma oculta”, defendendo o português de Lula contra os preconceitos da “elite”. Eu tenho idéias políticas a respeito. E não preciso me formar em ligüística na Sorbonne para expô-lo. Claro que são argumentos para se discutir. Mas são fortes. Na entrevista do autor de “Norma oculta” (não estou evitando escrever seu nome: simplesmente esqueci, mas faço questão de mencionar o nome do livro, que deve ser lido) há agressões a Pasquale (por parte dele e dos entrevistadores) e a toda idéia de correção ou enriquecimento da fala. E um quase silêncio mórbido sobre a língua escrita. Ora, eu acho que esses arroubos de populismo são em geral um superesnobismo mal disfarçado. Claro que sei que se escrevia “frecha” (até os poetas românticos ainda usavam essa forma) e que , portanto, dizer “TV Grobo” não é exatamente errado. Mas as pessoas que dizem “grobo” são as mesmas que têm vocabulário menor, menos acesso aos conhecimentos, menos poder. Os emergentes brasileiros que, saindo da pobreza para a crescente classe média, desejam aprender com os Pasquales da vida são os alvos finais da agressão desses lingüistas. Por mais bem intencionados que sejam, estes resultam demagógicos, pois proíbem a troca natural entre os níveis de informação (sendo assim mais contra o dsenvolvimento orgânico da língua do que os gramáticos) e ostentam estar de posse de teorias de ponta. Aliás, naquela longa entrevista de Lévi-Strauss a Didier Eribon, o grande antropólogo diz que começou influenciado pela lingüístca mas que nos últimos anos deixou de interessar-se pelos textos teóricos da disciplina por achá-los muito esnobes e preciosistas. Acho que se tivermos mais brasileiros letrados, melhores escolas, menos pobreza (isto já começa a se dar), o trato com a palavra escrita poderá mudar muitas “tendências”. E é gritante o desleixo pela palavra escrita nesse processo. Sim, me lembro de Saussure. Mas, por exemplo, há “tendências” misteriosas: por que leio hoje nos jornais e nos livros quase sempre “em um” ou “em uma”, em vez de “num” ou “numa”? Será que há uma regra que desconheço? Os falantes que ouço, todos, sempre disseram “o corpo foi encontrado num canto da praça Genral Osório”. Mas os jornais escrevem “em um canto da General Osório”. As moças da TV já dizem preferencialmente “em um”. E já começo a ouvir pessoas de carne e osso dizendo “em uma rua escura” em vez de “numa rua escura”. Será que é regional (como a professora que me mandou o livro toma uma inclinação mineira contra os verbos pronominais como universalmente brasileira, eu estarei tomando uma tendência baiana a fazer a contração da preposição “em” com o artigo indefinido como regra nacional?)? “Você e tu”, está na minha letra de “Língua”. Odeio ter lido um elogio à decisão do novo traditor de Proust (um Py, aliás bom) de “evitar o lusitanismo “raparigas’” e chamar o título do terceiro volume de “Em busca do tempo perdido” de “À sombra das moças em flor”. Mas quê que é isso? Trata-se de um livro do início do século 20, contando histórias que se passam no século 19, um livro culto, complexo - por que diabos deve-se sacrificar o ritmo e a sonoridade bonita que Mário Quintana encontrou para traduzir “À l’ombre des jeunes filles en fleur” (inclusive mantendo o mesmo número de sílabas e a acentuação no “i” do original)? Só para usar o termo “moça”, vulgar, pesado, e dar a impressão de que escreveu em português brasileiro “natural”, sem “lusitanismo”? Não! Para mim ficou foi sem a beleza de “À sombra das raparigas em flor”. O que isso tem a ver com os lingüistas, a língua falada, a norma culta, a norma oculta, a demagogia e a mania de pensar que o melhor modo de resolver o problema das favelas é destruir o sistema de esgoto de que desfrutam as “elites”? Tudo.

http://www.obraemprogresso.com.br/tag/linguistica/


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Ei ei ei. Não postei porque concordo com o tio ali não.
O texto acima foi post no blog do 'Caetaninho', e é em resposta à ele que os alunos de letras estão se empenhando em seus textos.
Quando terminar a saga 'crônicas em resposta', posto minha versão aqui.

Vamo que vamo, quarta-feira!
Que a Isadora aqui tem muito a fazer ;P





Amizade, parte V

"Nem todo amor é amizade, pois que podemos amar sem ser amados; neste caso só há amor, mas não há amizade; porque a amizade é um amor mútuo, e se o amor não é mútuo, não pode ser amizade. E ainda não é bastante que o amor seja mútuo, é necessário também que as pessoas que se amam conheçam esta afeição recíproca, de modo que, se a ignorarem, têm amor, mas não têm amizade. Requer-se que haja alguma comunicação entre as pessoas que se amam, a qual é ao mesmo tempo o fundamento e o sustentáculo da amizade.

A amizade fundada sobre os prazeres sensuais ou sobre certas perfeições vãs e frívolas é tão grosseira que nem merece o nome de amizade.

Ah! Quanto é bom amar já na terra o que se amará no céu e aprender a amar aqui estas coisas como as amaremos eternamente na vida futura. Não falo, pois, aqui simplesmente do amor cristão que devemos a nosso próximo, todo e qualquer que seja, mas aludo à amizade espiritual, pela qual duas, três ou mais pessoas se comunicam mutuamente as suas devoções, bons desejos e resoluções por amor de Deus, tornando-se um só coração e uma só alma.

A perfeição, portanto, não consiste em não ter nenhuma amizade, mas em não ter nenhuma que não seja boa e santa. São Jerônimo, Santo Agostinho, São Gregório, São Gregório e todos os grandes servos de Deus tiveram amizades particulares, sem dano algum para a sua santidade''

São Francisco de Sales

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Visita de adeus

Ao subir as escadas de madeira daquele rústico salão, decorado por todas as partes com flores delicadas nas cores brancas e violetas, avistei a mesa com a parte da família a qual sempre tive menos contato. Cumprimentei-os e fiz aquela piadinha básica sobre aqueles convidados, que não tinha proximidade e sempre eram motivo de comparação, devido a diferença de estilos culturais, sociais, econômicos e claro, de educação.

Aquele casamento foi dedicado interinamente para criticar aqueles que não eram da 'elite'. Uns para cá, outros para lá. Em algumas mesas, tinham umas primas, que eu mal dei atenção e embora sempre estivessemos nos mesmos eventos, raramente quis conhecer e me aprofundar para conhecer a essência dos corações.

--

Alguns dias após, durante meu expediente de trabalho, ouço o toque famosíssimo de meu celular e como de costume, disse:
- Lá vem bomba. Se é de casa, alguma coisa explodiu.

- Aline, sua prima sofreu há pouco um acidente de moto. Está na UTI.

Daquele momento em diante, nada na família foi normal. O stress rondava diariamente minha casa, correria para cá e para lá. A família que já tinha problemas ficou extremamente abalada, afinal, manter um hospital e cuidados diários não é fácil, sem contar o mais importante: ela já não dava mais nenhum sinal de vida. E claro, eu me lembrava do casamento, da última vez em que a vi, sorrindo, bebendo seu vinho e toda feliz. Essa era ela.

Mal tínhamos contato - pelo contrário, eu adorava e era muito mais próxima a uma de suas irmãs - mas aquela situação me fez mudar os pensamentos e sentimentos, me fazendo dedicar um sábado ao lado dela no hospital. Foi diferente, não há como explicar. Uma situação dessas faz a gente perceber que um dia podemos estar bem, felizes e saltitantes, no outro... tchau. Ou até o contrário, reclamamos e ignoramos meio mundo e no segundo seguinte, as dádivas que até então tínhamos são tiradas como forma de nos acordar. Esse post não é sobre filosofia, então vamos continuar a história.

Mesmo não podendo vê-la sempre e estando com a agenda totalmente ocupada pelo trabalho e faculdade (além das futilidades que me fazem ficar cega para o essencial), perguntava regularmente aos meus pais como estava a saúde dela, sobre a melhora e a opinião dos médicos.

Isso não bastou, isso não bastava. Eu sabia disso, mas não fazia nada além de só perguntar aos outros.

Agora é a hora da filosofia: queria que todo mundo que vive dando desculpas que 'não tem tempo' para ver os amigos, que tem esse compromisso tal dia, que a vida de estudante e até de quem tem um trabalho é complicada, que em tal horário tem curso, tal momento precisa descansar e isso e aquilo... enfim, queria dizer somente uma coisa, e os educados que me desculpem:
- FODAM-SE!

Todo esse texto bonitinho e redigido com todo cuidado para apenas esta conclusão. Exatamente, fodam-se. Aliás, eu nem preciso dizer isso, porque no fundo sabemos que é isso que sempre acontece. Muitas coisas são importantes, mas não o essencial. Não é filosofia, é a verdade.

Todos nós estamos nos 'fudendo', me desculpem mais uma vez pela expressão - mas me mande para aquele lugar se você nunca disse isso. Temos preocupações demais, temos tarefas demais, temos compromissos demais, MAS NUNCA COM QUEM REALMENTE PRECISA, COM QUEM REALMENTE SE IMPORTA. Tá, uma vez ou outra, e quando acontece, o celular toca, tal horário devemos ir embora.

Aí, simplesmente o ciclo da vida se encerra e vemos que poderíamos ter feito mais. Eu poderia ter sido amiga da minha prima, poderia tê-la ajudado mais enquanto estava bem; poderia fazer muito mais agora por aqueles meus amigos que estão longe, que estão querendo um motivo qualquer para me ver (mesmo que seja um aniversário fora de época). Poderia sair do computador e ao invés de mandar um scrap dizendo que estou com saudades, pegar o carro e ir dar aquele abraço, ou até mesmo ligar. Mas aí vem aquela: o carro não está em casa, ligação pra celular hoje em dia fica cara...

É sempre uma desculpa. Querido amigo leitor, que deve me conhecer ao menos o suficiente para me imaginar sorrindo e filosofando: não deixe o escasso tempo 'te foder'. E dedico este post especialmente à srta. Linemary de Longe Bloom, ou a Aline Maria, ou a Line e até mesmo a Li, para os mais íntimos. Lá se vai alguém, com sobrenome Inácio e mesmo sangue, a caminho do encontro com Deus. E aí bate o arrependimento: durante aquela linda festa, eu poderia ter dançado aquele forró com ela, ao invés de falar mal, de reparar nos defeitos.

E como disse aquele senhor hoje a tarde:
- Velório? Isso que é uma visita de adeus, uma visita triste e amargurada. Aproveite-a.


Por favor, não sejam como eu, humana, que erra, que peca e que faz coisas horríveis às vezes. Amem, dediquem o tempo a quem realmente importa. Aposto que muitas vezes você, meu amigo, já se sentiu sozinho e deve ter se perguntado: 'onde está todo mundo?' Bom, eu estava fazendo alguma coisa qualquer e não me lembrei de você. Então não seja como eu, lembre-se dos outros, cuide, ame. Mesmo que você se esgote e se sinta fraco, em meio a tantos 'pés-na-bunda' que aqueles amigos ingratos irão te dar, valerá a pena.

O que será lastimável será você ter de deixar tudo de lado, seu trabalho, escola, enfim... seu dia-a-dia, para fazer uma visita de adeus.


Amar é construir diariamente o castelo que se quer viver diariamente.
É, estou filosofando demais, mas com AQUELE peso na consciência, no coração. Devia ter amado mais, ter consolado mais, ter ligado mais, ter sido mais!


Se vocês não querem 'se foder', comecem a viver de verdade. Eu quero viver, mas ainda não consegui me libertar dessa rotina que me cega. Caso alguém consiga amar a todos sem deixar para depois, favor me avisar.



--
Inspirações pra esse texto que, embora tenha traços de rebeldia e revolta, foi feito com toda calma e vontade de ver o mundo de outra forma: ligação do meu amigo no final da tarde, conversa com outro amigo também no final da tarde, a ida de minha prima dessa pra melhor (me matei de rir quando minha tia disse isso) e um amigo (mais um...), querendo simplesmente uma festa de aniversário só pra poder rever os amigos. A que ponto chegamos!


Novamente, tenho de pedir desculpas por algumas expressões usadas acima. Para quem me conhece, sabe que me contenho ao máximo para não usá-las, mas há casos que elas encaixam perfeitamente. Como o Carlinhos disse um dia na formação, já não é mais palavrão, apenas uma forma de dizer que 'a coisa está feia'.

Chega de explicações.





segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Meu tempo agora, parte V


Se eu fosse escrever algo hoje, seria tão triste quanto essa imagem. Eu sabia que a tempestade ia chegar, e agora já sinto o vento forte e as gotas de água gelada. É difícil tornar as lágrimas em sorrisos, mas agora é a hora de mostrar que a maturidade deve estar presente em todos os momentos, inclusive neste. Agradecer, sorrir e esperar em Deus. Nada de revolta, nada de palavrões, nada de desânimo e muito menos pessimismo; tudo passa e os momentos de provações são aqueles que mais trazem crescimento. Dá-me Tua graça, para que eu possa prosseguir e a Tua força para que eu não possa desistir. Assim seja, Amém.

--

Sinto um cansaço que me tira a paz
Finjo e disfarço mas não agüento mais
Medos e angústias se sobressaem
Sinto sua falta as minhas lágrimas caem

Com você eu descobri o meu melhor
Vi que havia muito mais ao meu redor
Sem você há um vazio bem maior
Onde perco o rumo numa estrada bem pior

preso numa roda gigante
Que insiste em rodar
Me consumindo a todo instante
Preciso me libertar

Vejo o tempo escorrendo pelas minha mãos
Não consigo dar descanso pro meu coração
Centenas de detalhes corroem o que sou
Preciso de um caminho saber aonde vou

domingo, 9 de novembro de 2008

coisa do coração

não dá para fugir, nem mesmo disfarçar
tudo fica de lado, esquece o que não pode deixar
sorri mesmo sem motivo, muda o brilho do olhar
torna o preto um arco-iris
e a distância faz a saudade apertar;

inexplicável o que começa acontecer
porque se emociona ao ver o anoitecer
um abraço se torna um refúgio
o olhar se torna o conforto:
é de negar que o amor começou florescer.

não há para onde correr, não dá pra se esconder
quando o coração começa a falar, a razão não quer calar
esconder ou negar, nada vai adiantar
e mesmo que uma triste lágrima caia
amar, amar... tudo vale a pena, tudo vale adiante levar.

quando menos se espera, quando menos se quer
o amor aparece de repente, chega sem pedir e se apresentar,
tira do fundo do coração aquele sonho que se escondia
traz à tona o que não mais se percebia;
em outro mundo agora é o viver.



--
Essas músicas são muito românticas, quero escrever sobre tantas outras coisas, mas não consigo!


[reason, melanie c]

canção do coração

ah, se houvesse forma melhor de comparar
encontrar a palavra certa para traduzir;
e como definir a forma mais bela de amar?
seria fechar os olhos e suspirar?
talvez sentir o coração mais forte pulsar
pular, bater, tão alto falar.

e minhas mãos, ao segurar
fez minha música mais linda relembrar
com apenas um toque fez tudo se mexer
o coração saiu do lugar, ficou maluco
passou dia e noite a sonhar.

e se houvesse tradução
para as coisas do coração?
as palavras não seriam mais as mesmas
o sol encotraria outra forma de brilhar
sua voz passaria a ser a música
que sempre esperei escutar.

Improviso do amor perfeito

[Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados, e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Longe, longe,
atrás do oceano que nos meus se alteia
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito]



Cecília Meireles

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Maria Maria

Ho Maria Maria
She reminds me of a west side story
Growing up in Spanish Harlem
She's living the life just like a movie star

Ho Maria Maria
She fell in love in East L.A.
To the sounds of the guitar, yeah, yeah
Played by Carlos Santana

Stop the looting, stop the shooting
Pick pocking on the corner
See as the rich is getting richer
The poor is getting poorer

Se mira Maria on the corner
Thinking of ways to make it better
In my mailbox there's an eviction letter
Somebody just said see you later

Ahora vengo mama chola mama chola
Ahora vengo mama chola

Ahora vengo mama chola mama chola
Ahora vengo mama chola

I said a la favella los colores
The streets are getting hotter
There is no water to put out the fire
Mi canto la esperanza

Se mira Maria on the corner
Thinking of ways to make it better
Then I looked up in the sky
Hoping of days of paradise

Ahora vengo mama chola mama chola
Ahora vengo mama chola(3x)

Maria you know you're my lover
When the wind blows I can feel you
Through the weather and even when we're apart
It feels like we're together


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domingo, 2 de novembro de 2008

som do coração

[música, chega e manda em meu coração
me acalma, me leva tão longe quanto poderia estar...
e me faz suspirar, com esperança gritar
conquista um sorriso mágico e de felicidade;
música, que me dá conforto e me faz delirar
e nela mergulho fechando meus olhos
me afundo nos momentos que gosto de lembrar;
sensação de liberdade, de continuidade
de luta, de emoção
de um beijo dado com toda paixão
dos olhares que se cruzaram sem nenhuma intenção
música que me encanta, me domina
que me faz ter calma na espera do futuro que vai chegar]


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record! no colegial, o máximo foram 400 'quase poemas' por ano.
linemary está de volta, definitivamente :)

fuga de mim

[onde foi que você escondeu, não te vi e não te encontrei
continuo te buscando em cada olhar e sorriso que dei
não dá pra ser assim, sem você
sem saber como vai ser...
por um momento achei que estivesse aqui
olhando e guardando a cada passo que eu dava
abri meus olhos e te desejei estar bem perto
para contar meus sonhos e meus medos...
por um momento achei que não tivesse fugido
ficado com medo do que estava acontecendo
me fala onde se escondeu, porque se perdeu
todo mundo se foi, só você restou
mas se foi... e pra onde foi não avisou
me deixou esperando, sem saber pra onde correr
sem saber a quem socorrer]



[] suddlenly morning - melanie c
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antes que os dramáticos falem, não é pra ninguém não!
tô relembrando de como é escrever sem usar meus sentimentos e deixar a música que estou ouvindo me trazer alguma inspiração diferente da que sinto.

today everything is so happy :)

O príncipe da Aline, parte V

[o dia que te encontrar, vou te abraçar
vou sorrir, vou pular, vou cantar
te beijar até o dia terminar;
não haverá medo que possa resistir
dúvida que queira permanecer
nem distância que possa nos separar.
Deus tem te guardado tão longe assim de mim
me deixando numa espera ansiosa, querendo logo o fim
como nos filmes mais românticos tudo vai acontecer
pois no teu abraço vou encontrar toda calma que precisar
em seus olhos, toda sinceridade e amor que eu merecer
quando sua mão na minha tocar, o mundo vai parar;
não verei os segundos passar
porque o tempo já não fará mais sentido
a espera já não terá mais importância
pois se meu tão sonhado amor tenho comigo
nada mais poderá me preocupar.
em tantos sorrisos enganei meu coração
já desisti, já tentei, já lutei e até briguei
mas deixar de sonhar com você, nunca deixei
e vou me sentir em outro mundo
quando o dia chegar, quando te encontrar
vou deixar de ser menina, vou me tornar mulher
vou me encontrar no seu olhar
vou te deixar pro futuro me levar, sem pensar
e não haverá mais medo, confusão e nem indecisão
não terá tempo que queira mandar
e seu beijo vai me levar onde sempre quis estar...
não importa quanto tempo ainda falte
quantas noites ainda tenha que sonhar
se inúmeras palavras poderei usar pra me expressar
em algum olhar vou te achar.]


--
não sei nem porque escrevi tudo isso, nem tem muita noção!
esse filme mexeu comigo, com meus sonhos e com meu coração.
a questão é que vou achar, mesmo que ele já esteja ao meu lado
um dia tudo vai se revelar. Uhul!



[] break - steve erdody & jonatham meyers

sábado, 1 de novembro de 2008

O príncipe da Aline, parte IV

[Item 1] OLHAR

Quando eu conhece-lo, eu saberei de imediato.
Pode ser loiro ou moreno, olhos claros ou escuros
Ser tão palhaço como eu ou tão quieto como não posso imaginar;
Independente de como seja, eu o reconhecerei quando chegar.

O olhar, apenas o olhar.
Primeiro item de todos os outros, pois é ele quem vai me revelar
Se eu vou me encontrar e poderei me confiar
Em suas mãos meu tão doce coração.

E após beijá-lo e abrir meus olhos, poderei saber
Se meu olhar encontrará o seu;
E se um sorriso - 'aquele' sorriso - o acompanhar, vai me ganhar
Vou saber que finalmente meu sonho aconteceu.

[]

friendship never ends?

[the time is now or never to fit the missing piece
to take this on together, you make me feel complete
we fall into the future and through the looking glass
the light shines over our heads and so it comes to pass
to go beyond the surface
to reach into your soul
this love is not demanding
my heart has told me so
I hold into my hero with faith enough to fly
the power to imagine will keep this love alive
let's make the headlines loud and true
I wanna tell the world I'm giving it all to you
let's make the headlines loud and clear
the best things suddenly happen when you are here
if I lost my way you'd carry me home
take me all the way to heaven, never leave it alone
and it's just like everything matters when you are here
(matters when you're here)
And it feels so good every care's gone away
your love is alive and it's making me sing
i could fly, wanna cry, want the whole world to know
we are together, c'mon baby let's go
Our words yet to be spoken will fall upon the page
spelling out true devotion, is all we need to say]

--
I have already felt it. Today, again.
Friendship never ends? Right now, I don´t know.

Por hoje

[Então corra, procure o que quer!
Viva, seja e sinta o que quiser!
Pare e entenda o que ver
Não se cale e esteja bem onde estiver!]

[Se apaixone, sinta e corresponda
Dê aquilo que acha que precisa dar
Se entregue sem precisar se matar
Morra por um dia feliz se precisar!]

[Chore, grite e brigue e tente se irritar
Não guarde o que não vai mais usar!
Seja por apenas um dia quem se quer ser
Porque um dia você vai morrer!]

--
Foi dramático, mas foi o que ia vindo na cabeça enquanto a música tocava!
'give me one good reason' uhul, i like this music \o/

Dependência

[We really need to see this through!]

Tudo que você pensa pode mudar a qualquer momento
Tudo que você quer pode se tornar um pesadelo
Amar pode não significar não odiar
Deixar não quer dizer não querer
Fugir não quer dizer não enfrentar.

Querer viver diferente não depende de muita gente
Não depende do tempo frio ou da noite quente
Não quer dizer sumir ou se matar
Se resume apenas em querer mudar
Deixar de ter e passar a ser um pouco mais
Aquilo que você espera e não se desespera pra tentar.

Uma guitarra, uma bateria ou um piano tanto faz
A música que sua vontade faz no silêncio pode ser muito melhor
O que você faz quando se esquece de impressionar dá mais prazer
Dançar e pular sem se julgar pode parecer sem sentido
Mas tudo é mais gostoso quando se aprende a não se importar.

Opiniões alheias um dia vão te eliminar
E de viver ensaiando e treinando nesse teatro você poderá se cansar
Vai sair correndo, vai gritar e tentar se matar
Não adianta pensar o tempo todo nem ser assim
Se os sentimentos te dominam, um dia você não vai agüentar.

Sinta raiva, sinta amor, angústia, alegria ou solidão
Fazer um sertanejo-corno ou um punk-bate-a-cabeça só depende de querer
Não importa o que se sente, importa a atitude e o que se vai fazer
Porque amar não quer dizer querer para sempre
E se importar, não quer dizer se apaixonar.

Um feriado, uma praia ou o carnaval
Garotos bonitos e engravatados, conta bancária alta e um bom carro
Ter tudo não quer dizer ser feliz,
Se mascarar não traduz saber quem é realmente
Porque desejar não reflete necessariamente o que se quer
E rezar não quer dizer se entregar.

Comer muito não faz engordar
Praticar esportes pode não ajudar emagrecer
Gostar de rock não significa ouvir música satânica
E ir à missa, não quer dizer ser santo.
Tudo compreende em quem você será, do que se faz querer
Da música que vai querer tocar, as notas só dependem de você.

Beijar não significa mais namorar
Se apaixonar não quer dizer correr atrás
Esperar para dar um passo não precisa a eternidade demorar
Dirija com o vidro aberto, ninguém vai te assaltar!
Tudo pode parecer maluco se você deixar
As pessoas vão te consumir, e você vai se confundir.

Ter 20 anos não quer dizer ser adolescente
E ter 30, não siginifica ser adulto
Tudo continua dependendo do que você se faz parecer
Porque comer batata frita pode ser apenas mais um prazer
E gostar de alguém distante se torna uma loucura se você não se conter.

Acordar cedo não quer dizer intensamente viver
Passar o cartão de ponto não siginifica bem trabalhar
Fotos no orkut não vão traduzir felicidade verdadeira
E um amor sincero não se encontra na porta de um bar.
Ainda depende do que você quer criar e do personagem que quer ser
Do teatro que quer participar e da vida que quer viver.

Ser feliz não quer dizer ter dinheiro, não quer dizer ser pobre
Esperar aquela ligação pode se tornar doentio
Quando se não sabe realmente o que é que vai acontecer.
Ficar doente só depende da cabeça e do pensamento
Se conhecer não quer dizer fazer yoga, relaxamento
Mas apenas daquilo que você não precisa mudar para ser.


=)


--
Inspiração?
First date; story of a lonely guy; the rock show; stay together for the kids; anthem part II.
Forever and ever, my best band!

Tomas De Longe, love u :D [HAUIHoiuahOUIHAUIOhaiuHUIOAHUIoha]

Smallville

Já sem saber o que queria da vida, sentou-se ao lado de uma árvore cheia de folhas secas e olhava fixamente para o lago que estava a sua frente. O vento batia suavemente em seu cabelo solto e os pássaros retribuiram aquela atenção.

Tudo estava acontecendo tão rápido que não tinha tempo de assimilar se os planos feitos anteriormente estavam sendo executados da forma correta. Naquele momento, definitivamente, houve a necessidade de parar a vida, organizar e colocar em ordem aquele turbilhão de emoções.

A música que tocava ao fundo era extremamente propícia àquele momento e olhando para o nada, se dirigiu à Deus como se Ele a ouvisse: '- Vamos começar a definir o que é útil e o que não é nesta vida? Podemos ficar brincando de esconde-esconde pela eternidade e quando tudo acabar, nada terá sido favorável para nenhuma das partes'.

Com o caderninho que estava em sua mochila, escreveu em muitas linhas tudo que estava acontecendo: listou detalhadamente as ocilações de humor, as tempestades que ocorriam freqüentemente, as pétalas de alegria que caiam todas as tardes, a insegurança, os sorrisos, as pessoas e os locais que faziam parte de seu dia-a-dia.

Deitando-se na grama, viu nos céus a imagem perfeita de uma nuvem. Uma gota caiu. Duas gotas. Três, quatro, cinco, seis... São Pedro não agüentou e decidiu lavar toda aquela vida de indecisão e fraqueza com uma garoa de pré-verão, recheada de brisas quentes e um sorriso que se abria a cada segundo diante daquela resposta que havia recebido.

Se as coisas mudariam, não teria como saber. O que importava é que naquele momento não havia nada e nem ninguém para interromper suas lembranças e pensamentos, apenas gotas que lavavam seu rosto de todo cansaço que a nova vida estava lhe trazendo.

Não havia chefe, não havia pai e mãe; não havia namorado ou o cara que a enrolava, não havia amigos distantes, infiéis e até os preciosos tesouros. Não havia computador, celular, rádio e carro. Não havia relatórios e avaliações. Falar espanhol, alemão e mandarim já não tinha tanta importância e nem mesmo um brigadeiro mudaria aquele momento. Tudo estava escorrendo com a água.

Levantar e caminhar eram as próximas ações e era previsível que todas as situações acima voltariam e atormentariam novamente o fundo daquele coração, que se desfazia a cada novidade que chegava.

Não havia quem a salvasse de tudo aquilo, quem a tirasse e levasse para um lugar longe e tranqüilo. A resposta estava em apenas um lugar: seu coração. E a maior dificuldade nessa agitada rotina era entender o que realmente se passava com ele. Quanto mais tempo se passava sem analisar o interior daquele pequeno local, mais disperso se transformava.




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Save me - remy zero