terça-feira, 7 de dezembro de 2010

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Sigo procurando a direção, que talvez entenda meu cursar 
Que me dê um coração;
Que talvez me chame de meu bem, e que às vezes possa recuar 
Quando tente ir além 

E se? Se eu? 


E se eu fugir pra bem longe me encontrar 
Pode ser que antes eu tropece em algum lugar
E perca minha memória...



Eu sinto que sumi, olho por aí, onde está meu pensamento?
Longe ou aqui? Distante de mim? Quero apenas um momento! 
Eu me perdi num abismo infinito, mas parece que alguém está aqui 
Me pondo na rota certa

E se? Se eu? 


E se eu tentasse existir 
Como um álbum de recordações e pudesse descansar? 
É o temor que paira sobre mim e inebria minha lucidez
Eu preciso respirar!

E se? Se eu?

Eu sinto que sumi, olho por aí, o
nde está meu pensamento?
Longe ou aqui? Distante de mim? Quero apenas um momento!
Eu me perdi num abismo infinito, mas parece que alguém está aqui

Me pondo na rota certa 


E se? Se?
E se me perder em algum lugar, e te perder



E se eu fugir pra bem longe me encontrar
Pode ser que antes eu tropece em algum lugar
E perca minha memória...



Eu sinto que sumi, olho por aí, onde está meu pensamento?
Longe ou aqui? Distante de mim?
Quero apenas um momento!
Eu me perdi num abismo infinito, mas parece que alguém está aqui,
Indicando a direção...

.. Me pondo na rota certa
E se encontrar o meu lugar
Nessa imensidão de nada, nada




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Não há nada que me expresse melhor.


/Rosa de Saron (http://www.vagalume.com.br/rosa-de-saron/sobre-mares-e-angra.html) 

Última parcela

Dezembro. Ufa, chegou. Parecia que este ano não iria terminar, ou pelo menos, que demoraria séculos. Como pode acontecer tanta coisa em 364 dias? Se bem que, 2010 ainda não chegou ao final. Ainda podem aparecer muitas surpresas.


Só sei que alguns investimentos valeram realmente a pena, como o trabalho novo. Alguns bens adquiridos, diga-se de passagem que foram escolhidos por impulso, não trouxeram resultados de gerar orgulho - como momentos de raiva, de isolamento, de depressão. Ou a indecisão. O medo. Muitos itens fúteis, mas que não foram dispensados.


Enfim, chegamos na última folha do carnê, na última parcela. Se tiveram objetivos que não foram cumpridos, eis aqui a chance. Afinal, em Janeiro o financiamento de planos começam novamente. E, quando não pagamos em dia, os juros correm e fica mais difícil de quitar a dívida. 


:D

terça-feira, 30 de novembro de 2010

***

Bem que quis, tentar fugir
Dessa loucura que bate em mim
Andei tão longe, quase até cansar
Não adiantou, não deu certo
E de novo, estou aqui nesse caminho sem fim.


Me lembro bem quando te vi pela primeira vez
Senti como se nunca mais seria a mesma novamente
Como se cada vez que te encontrasse
De mim eu sairia, sem saber qual direção, perdida andaria
Sem saber como fazer para te ter, e não te perder.


Agora penso como será daqui pra frente
Se sigo, se paro, se desisto ou continuo a lutar
As lembranças invadem, me enlouquecem 
E de repente, te quero de novo,
Me dou uma nova chance para amar.


Me fale que agora é pra sempre,
Ou que vai acabar em um minuto
Me tire dessa loucura que vai me matar
Dessa angústia de não saber o que querer
E de ao mesmo tempo, só pensar em poder te escolher.


Eu tentei decidir quem eu sou
Mas em cada tentativa, me deparei com você
Confundindo tudo que pensava querer
Mudando completamente minha direção
Me fazendo te tornar, minha única exceção.


Agora eu vejo o quanto não adiantou
Fugir, correr e parar de tentar te resistir
Seu cheiro, ver seus olhos e ouvir sua voz
Que me confunde, que me faz perder o chão
Me dizendo pra ficar, ou escolher partir.


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# Metric - All Yours
# Paramore - The only exception


Muita coisa misturada nisso aí. Um pouco de cada. 




Depois de aaaaanos sem escrever.... I'm here.
Meio enferrujada, mas AQUI.









sábado, 27 de novembro de 2010

Sing

Sing 
My Chemical Romance

Sing it out
Boy, you've got to see what tomorrow brings
Sing it out
Girl, you've got to be what tomorrow needs
For every time that they want to count you out
Use your voice every single time you open up your mouth

Sing it for the boys
Sing it for the girls
Every time that you lose it sing it for the world
Sing it from the heart
Sing it 'til you're nuts
Sing it out for the ones that'll hate your guts
Sing it for the deaf
Sing it for the blind
Sing about everyone that you left behind
Sing it for the world
Sing it for the world

Sing it out, boy they're gonna sell what tomorrow means
Sing it out, girl before they kill what tomorrow brings
You've got to make a choice
If the music drowns you out
And raise your voice
Every single time they try and shut your mouth

Sing it for the boys
Sing it for the girls
Every time that you lose it sing it for the world
Sing it from the heart
Sing it 'til you're nuts
Sing it out for the ones that'll hate your guts
Sing it for the deaf
Sing it for the blind
Sing about everyone that you left behind
Sing it for the world
Sing it for the world

Cleaned up, corporation progress
Dying in the process
Children that can talk about it
Living on the railways
People moving sideways
Sell it 'til your last days
Buy yourself the motivation,
Generation nothing!
Nothing but a dead scene
Product of a white dream
I am not the singer that you wanted
But a dancer
I refuse to answer
Talk about the passer
Ruling for the ones that want to get away.

Keep running!

Sing it for the boys
Sing it for the girls
Every time that you lose it sing it for the world
Sing it from the heart
Sing it 'til you're nuts
Sing it out for the ones that'll hate your guts
Sing it for the deaf
Sing it for the blind
Sing about everyone that you left behind
Sing it for the world
Sing it for the world

We've got to see what tomorrow brings
Sing it for the world
Sing it for the world
Girl you got to be what tomorrow needs
Sing it for the world
Sing it for the world


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Just it!


Porque sempre tem alguma música que me ajuda! ;)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Reconhecimento

Falta inspiração para escrever? Sim, e às vezes bate aquela aridez interna que nem os pensamentos ajudam a traduzir em palavras escritas naquilo que se sente. Mesmo assim, por pior que a situação esteja, cada momento do dia poderiam se tornar um post. Ou, uma crônica. Quem sabe até um livro. Mas, um passo de cada vez, né?!

Uma situação extremamente pessoal deveria - e deve - vir parar aqui. Afinal, quantas vezes o blog se tornou meu palco particular para desabafos, reclamações e filosofias?

Em um dos últimos posts, dediquei corpo, alma e toda minha criatividade - ou boa parte dela - para expressar como me sentia com o fim do relacionamento mais intenso que tive: o final de um estágio profissional. Sim, aquele que amava e sonhava em permanecer para sempre. Bem adolescente, não? Sim. A menininha que entrou naquela empresa em 2008 saiu de lá um pouco mais madura e talvez até mais decidida. Foi lá que aprendi a superar os tombos e tirar deles uma lição, até um pouco mais que isso - extrair novas maneiras de agir, de pensar.

São tantas emoções - como dizia o tal 'Rei' - que mal consigo traduzir. Dá pra tentar, usando algumas palavras. Descobrimento, crescimento, desenvolvimento e reconhecimento. Quantos 'entos', não? Foi proposital. Cada uma delas representa algo que começou e que não vai terminar tão cedo. Ações que estão em andamento (mais um 'ento', que não usei de propósito!).

Descobrimento significa para o tio Aurélio um substantivo masculino que pode ser um ato ou efeito de descobrir.  Descobrir que a satisfação pessoal e profissional pode estar bem ao lado. Às vezes, é preciso tirar o óculos e observar os detalhes. 



Ato de crescer, aumento representa o derivado da palavra crescer. Não ficar parado, evoluir, sentir interesse, querer mais, mais, mais e mais. Ter a vontade de conquistar, de ganhar. E, ao meu ver, só cresce quem realmente quer. Um professor de psicologia costumava dizer que os estímulos devem ser intrínsecos; ou seja, devem vir de dentro. Não se encontra fora o que não se tem dentro; não se dá o que não tem.

Para o dicionário, desenvolvimento pode ser traduzido como ação ou efeito de desenvolver; crescimento. Hmm. Sinônimo da palavra escolhida anteriormente. É a continuidade. Não basta descobrir o que se quer, ter vontade de crescer. Tem que continuar, perseverar, lutar. Cair, levantar. 

E, a minha preferida, reconhecimento. De todas as definições que o Aurélio proporcionou, a que mais gostei foi Lembrança de um benefício, gratidão por ele: testemunhar reconhecimento.  Elogio é um presente e um imenso estímulo, porém, não há gratidão melhor do que aquela do que sentir isso de si. Lembrar das evoluções, das pedras, dos tropeços, das lágrimas... do caminho percorrido e crer que não se é o mesmo. Que, o que era difícil ontem, já não é mais tão complicado.

Estas quatro palavras podem definir meu estado ultimamente. Descobri - não hoje, mas há algum tempo - minha paixão pelo que faço em meu trabalho, pelas pessoas as quais convivo e pelo local o qual me acolheu e me deu esta oportunidade de desenvolver tudo aquilo que tinha aprendido. E, com o que veio de novo, chegou também o crescimento. Saber escolher melhor as palavras, em quem confiar, a que horas se exaltar e se calar. Com isso, o reconhecimento - não só externo, mas principalmente, o que vem de dentro.

Fazia tempos que não tinha essa atitude, mas ontem, quando voltava da confraternização do setor, em meio a chuva que inundava Limeira aos poucos, respirei fundo e, ao invés de me estressar, agradeci à Deus.

Posso novamente falar o que já disse em posts bem anteriores: hoje sou tudo o que pedi um dia à Deus.

Mas, não pára por aí. Eu quero mais. :)

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Inspiração? Lifehouse. Always! :]


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Crescer...!

'Aos poucos você vai deixando de escutar certas músicas, de usar certas roupas, de falar com certas pessoas. Mudar faz parte do ciclo da vida, embora a essência seja sempre a mesma. Quando encontrar um obstáculo grande na vida, não desanime ao passar, pois com o tempo ele se tornará pequeno. Não porque diminuiu, mas porque você cresceu'.




Saudade do blog... mas, pouquíssimo tempo livre.
Formatura chegando, dá pra acreditar?




Thanks God...! For all! :D

domingo, 11 de julho de 2010

Começar de novo

Às vezes, ainda é possível sentir o cheiro de Outubro no ar. A fragrância, os sentimentos, as sensações e todo desejo que aquela nova fase trazia. Novo. Talvez esta fosse a palavra para definir o que vinha pela frente. Mal imaginava onde estava pisando, o que aconteceria e quais mudanças ocorreriam em mim.

Se hoje consigo, em meados de abril deste ano a situação era diferente. Não me recordava daquele tal mês e tampouco acreditava que aquela magia havia existido. Os sonhos não estavam mais mornos, mas sim guardados em uma geladeira; as amizades, tão amadas e cultivadas, também estavam frias e distantes. Mais que isso, minha alma estava distante, sem saber o que desejar e/ou pensar.

Um modo automático foi ativado. Eu não mais vivia, acho que bem pouco existia. Algumas vezes, me questionava aonde havia perdido toda aquela paixão, aquela força pra lutar. Onde? Nada tinha mais graça e todo ânimo, toda excitação haviam sido trocadas pela lamentação, desgosto e reclamações.

Não sabia quando seria exatamente o fim, apenas tinha a noção que estava por vir. Se tornou ainda mais próximo pois eu o forcei, não trocando por uma nova vida, mas porque enterrei em mim toda a perspectiva que tinha no começo. Guardei e não me permitia procurar, para que talvez, fosse mais fácil começar de novo.

Acabou. Acabou e não, não foi nada fácil seguir adiante.

Pensei em enterrar também aquela vida e fazer tudo do zero, como se não tivesse me frustado e me iludido daquela vez. Errei e fracassei, foi impossível. Mais do que isso, pirei. Poxa, não era o final de um relacionamento, ou a morte de alguém que eu amava. Foi apenas o final de um estágio profissional, em um local o qual coloquei quase que 100% de meu coração.

Exatamente. O amor que havia colocado não combinava com a forma que o final chegou, embora soubesse que um dia, chegaria o fim. Apenas um estágio! Por que foi tão difícil? Virou uma bola de neve. A solidão que encontrei no novo emprego ajudou demasiadamente a pensar sobre tudo isso. E o antigo trabalho se tornou como uma sombra, com o ressentimento, e o porquê de não ter dado certo, quando se era o que eu sempre quis.

Uma coisa é fato: não iria para frente porque não era o que deveria ser. Deus sabe de tudo, e aquilo, realmente me mudou. Amadureci imensamente e me descobri e realizei-me profissionalmente, mas durante a etapa escolhi caminhos os quais não me trouxeram tantas conseqüencias boas. Por diversas situações as quais somente cabem ao meio profissional saber, não tinha uma vaga, um local para que eu fosse efetivada.

E, o final foi difícil sim, porque eu o tornei assim. O sentimento de perder algo que eu amava e tinha colocado tanta esperança fez com que me afastasse das amizades que tanto apreciava e usasse como escudo minha indiferença e minha máscara visível de tristeza. É, eu realmente não consegui lidar com algo que sabia que teria que lutar contra.

Sei que poucos entenderam a tempestade que passei - e que claro, eu mesma criei. A questão é que não é fácil ter que deixar algo que simplesmente, se tem que deixar. Apenas um estágio de minha vida profissional, apenas um estágio. Um estágio, uma fase. Um tempo o qual coloquei tudo de mim, sem me lembrar do conselho que havia recebido 'no final do arco-íris, podem ser apenas salgadinhos amarelos, e não moedinhas de ouro'. E, assim foi.

Passei por aqueles 5 estágios da luta contra a perda, contra o luto. De certa forma, foi um luto o qual eu vivi.
  1. Negação e isolamento: me questionava a cada segundo porque deveria ser daquela forma. A hora do almoço, na qual sentávamos nos banquinhos e conversávamos, davamos risadas, foi trocada por 60 longos minutos na frente do computador, adiantando algum trabalho. A intimidade, as confidências, a confiança e a parceria com os amigos também ficaram para trás.
  2. Raiva: A segunda, ainda mais difícil e dura, havia indignação para todo lado. Não era justo eu ter me esforçado tanto, dado tanto de mim, para simplesmente não ter uma vaga efetiva naquele momento! AH! Choro, reclamações, dores de estômagos intermináveis... Por quê? Muitos eram efetivados em outros países, em outras áreas ou ficavam como 'terceiros'. O problema era comigo?!
  3. Negociação: no meu caso, a troca. Uma outra empresa me acolheu, e todos a minha volta pareciam felizes. É, mais um estágio, algo na mesma área... Mas não é a mesma coisa. Foi somente uma negociação minha com o futuro para não encarar a tragédia que seria o próximo Outubro.
  4. Depressão: Não era MESMO a mesma coisa. O mesmo emprego. As mesmas pessoas. As mesmas atividades. A mesma rotina. A mesma alegria, a mesma empolgação. O mesmo processo, os mesmos idiomas. Vários e vários dias, após o almoço solitáro, sentava em um cantinho ao sol e olhava os carros passando pela Rodovia Anhanguera e me lamentava: era no km 98 de Campinas, e não no 147 de Limeira. Com a depressão, a ilusão: um dia vão me chamar, vai aparecer uma vaga. Um dia, voltarei, será tudo como antes.
  5. Aceitação: Não, não será como antes. Aliás, já não era nada como antes. Cada amigo já tinha tomado seu rumo, todos seguiram adiante e por que eu, somente eu, havia parado no tempo querendo congelar a todos para não progredirem? Foram momentos ótimos, inesquecíveis, amizades que vão ficar no coração e uma experiência que me tirou dos 20 e me levou aos 22 com muito mais maturidade e sabedoria. E, cabe ao novo estágio receber cada segundo de minha atenção, dedicação e esperança para dois anos cheios de aprendizado.
Mal podia imaginar que viveria uma história tão carregada de acontecimentos como vivi em quase 2 anos. Quanta coisa! E, por isso foi tão difícil aceitar seu fim. Mas, depois de dois meses longe, parece que foi há uma vida, há uma eternidade. Agora, cada vez mais o novo desafio me consquista mais e as esperanças vão crescendo.

O começo deste novo 'namoro profissional' foi na data a qual mais espero no ano: meu aniversário. Uma perspectiva totalmente diferente. Me senti querida mesmo fazendo apenas 2 meses ao lado daqueles rostos que todas as manhãs me dão sorridentes 'bom-dias'.

Finalmente, de cabeça, alma e coração, ADEUS, Bosch.

E, após um longo tempo de luto, consigo enxergar alegria, esperança, cores novas. Afinal, a vida é da cor que a gente pinta!


Trilha sonora merecida e perfeita para o tema: Lifehouse.






domingo, 3 de janeiro de 2010

Retrospectiva 2009

Meu blog, meu diário, minha vida!
Como através dele mostrei muito do que acontecia durante o ano inteiro, nada melhor do que o escore total, não é?!

Lendo minha inseparável Folha de São Paulo hoje, vi que Drauzio Varella se expressou por mim. Posso não ter vivido as mesmas situações que ele, mas acho que posso resumir o que espero com suas palavras.

Detalhes? Acontecimentos? Ora, quem esteve comigo sabe bem. E o tal do escore?! Talvez seja cedo demais para ver seu resultado.


Novo ano
DRAUZIO VARELLA

Quando o fim de ano se aproxima, alinho de um lado o que deu certo e de outro as frustrações


QUANDO EU era menino, à meia-noite de 31 de dezembro, em meio às explosões dos fogos de artifício, ouviam-se os tiros de revólver que os homens disparavam com a intenção de matar o ano velho.
Essa prática nefasta que causava vítimas de balas perdidas, no entanto, refletia, como nenhuma outra, o impacto que a chegada do próximo ano provoca no espírito humano: destruir o velho para saudar a chegada do novo.
Toda vez que o fim de dezembro se aproxima, sou invadido pela certeza de que minha vida será ainda melhor. Sei que se trata de um pensamento mágico, mas me aproprio dele para experimentar a sensação de felicidade que a esperança traz.
Então faço planos para estudar mais, dedicar mais tempo para a família e os amigos, escrever livros, criar bons textos, correr maratonas, ler livros que me transformarão, subir e descer o rio Negro muitas vezes e ouvir as histórias dos ribeirinhos, além de me tornar menos neurótico, reconciliado com os meus conflitos internos.
Tenho consciência de que o conjunto de afazeres necessários para atingir esses objetivos é vasto, mas não me acovardo diante deles. Em minha imaginação, conseguirei cumpri-los; na pior das hipóteses, uma ou outra demanda ficará para trás, incompleta.
Como tenho feito nos últimos tempos, em dezembro do ano que agora começa submeterei as realizações e os fracassos ocorridos a um balanço geral cujo formato aprendi com uma amiga que já se casou quatro vezes.
Dizia ela que, em caso de dúvida sobre continuar casada ou separar-se, dividia uma folha de papel em duas partes. Numa delas colocava as vantagens do relacionamento e as qualidades do marido; na outra, as desvantagens e os defeitos. Durante meses anotava na coluna correspondente tudo o que lhe ocorria a respeito do outro: dos traços da personalidade ao gosto musical, do grau de honestidade à bagunça com as roupas, das atitudes generosas às manifestações de egoísmo.
No fim, quando se achava preparada para tomar a decisão, fazia a soma aritmética de cada coluna. Se o número de qualidades e vantagens fosse maior, continuava casada; caso contrário, tudo acabado.
Não atribuía pesos distintos aos itens relacionados em cada lista, a grandeza de caráter valia tanto quanto o desleixo com o tubo de pasta de dente, a infidelidade conjugal tanto quanto o bom gosto com as gravatas ou as boas maneiras à mesa. Adotava o método aritmético porque, se o fizesse de outra maneira, ficaria paralisada, sem condições de decidir a respeito da importância relativa de cada qualidade ou defeito no cômputo geral.
Sem o rigor sistemático das listagens de minha amiga, quando o fim de ano se aproxima, procuro alinhar de um lado o que deu certo e os acontecimentos que me deixaram feliz, do outro as frustrações e os erros que cometi. No final, somo tudo para saber se o ano foi bom.
Adoto o mesmo critério dela: a soma aritmética. O carro que comprei pesa tanto quanto a caneta de estimação que perdi; o livro que publiquei não vale mais do que a história lida para minha neta na hora de dormir; as rugas novas em meu rosto valem tanto quanto o olhar tímido da morena de cabelo curto que passou por mim na avenida Paulista. O escore final, resultado da diferença numérica entre as duas colunas, é que define o quanto foi bom ou mau o ano que termina.
O inconveniente desse método é que ele me obriga a traçar planos ambiciosos para o ano seguinte; utópicos até, porque o tempo impõe limites às tarefas que um homem consegue realizar nas 24 horas de cada dia.
Não tem importância, prefiro acreditar que 2010 será um ano que me trará momentos de felicidade jamais vividos e que conseguirei colocar em prática as ideias mais mirabolantes que me vierem à cabeça, do que imaginar a situação contrária: a do ano preenchido pela repetição rotineira.
O único problema é que o número de desafios que me disponho a enfrentar para obter um escore favorável no fim de tudo às vezes cansa. Chego a invejar o equilíbrio psicológico daqueles que levam vidas mais contemplativas, em lugares remotos, como o caboclo que vi ao longe, sozinho, sentado num tronco à beira do rio Negro, às 6h.
Ao encontrá-lo na mesma posição duas horas mais tarde, perguntei o que fazia ali:
"Estou sentado", respondeu.


Tentando

Tentar. Muitas vezes significa arriscar a descobrir e encontrar muitas coisas. Boas, maravilhosas e alegres, nem sempre virão como recompensa. Às vezes podem aparecer pedras, espinhos, tapas e tombos. Às vezes pode significar ganhar para a vida inteira uma marca que se torna difícil apagar, ou até mesmo uma lembrança que sempre venha perturbar quando tudo parece estar caminhando para o rumo certo.

Muitas vezes significa caminhar no escuro ou acender uma lâmpada num local o qual não vai adiantar nada. É ver e não enxergar, é doer e não saber onde curar. É sofrer e não saber escapar, é tombar e não saber qual direção retomar.

Tentar pode resultar num sorriso confortante ou simplesmente, num trauma constante.

O mais duro talvez seja nunca agradar a quem se quer. Sempre tentar, tentar, e nunca se dar por satisfeito. Porque além de sempre exigirem mais e mais, a cobrança sempre virá de si mesmo.

E o melhor também pode ser que junto com a tentativa, sempre venha um pouco de esperança. Esperança de alcançar o céu depois de escalar montanhas cobertas de gelo, de pedras escorregadias e de apoios traiçoeiros.

Esperança de um dia acordar e tudo estar melhor. Não existir mais brigas, mais desconfianças, mais intrigas e momentos de tempestades que aparentam nunca querer ir embora.


Esperança de, por mais difícil que esteja, nunca desistir de tentar.

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by Trying, Lifehouse


Happy New Year! ;D