quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Lingüística x Gramática

Definitivamente, ainda estou em cima do muro e é extremamente notável. Desde que comecei a aprender a ler e escrever, aos 5 anos, sempre gostei do 'correto' e criticar quem falava e/ou escrevia errado. Obviamente, não sou a perfeição na língua portuguesa, mas minha luta era para manter nossa língua conservada, sem os irritantes 'pobremas que estarão trazendo menas' qualidade de vida; entre outras palavras, o mal uso do português, como dizem os gramáticos.

Cursar letras torna esta opinião contraditória, já que o discurso passa a ser em torno do famoso 'preconceito lingüístico'. O que é e como se faz? Bom, há vários tipos e várias maneiras de se praticar, e exemplificando a resposta, usaria o termo 'é certo falar assim porque se escreve assim'. Meu conceito foi transformado quando aprendi o que é tão lógico, mas que nunca associamos ao criticarmos: a fala surgiu primeiro que a escrita; desde a época do homem das cavernas, ela foi uma das primeiras formas de expressão da humanidade. Com o tempo, houve a necessidade de simbolizar aquelas palavras, e com isso, surgiram as letras. Elas apenas representam, não são o significado. Logo, se a escrita surgiu com a função de símbolo, por que ela é quem deve ditar como se deve falar?

Fica complicado explicar quando tudo é novo e as idéias vivem em conflito. Não consigo ser contra o querido professor Pasquale, o qual 'Caetaninho' elogia abaixo. Mas, também, não consigo admitir a forma a qual ele usa para dizer que as outras formas são erradas e que é assim o correto e ponto final. Seria fantástico a repercussão que um tiozinho causaria em sua comunidade dizendo 'nós iremos' ao invés do famoso 'nóis vai'. Com certeza todos seus companheiros iriam rir e até crucificá-lo. Se essa não é a realidade dele, como vou obrigá-lo a dizer o que a norma culta pede?

A correção se tornou uma cruz, que se torna gostosa de se carregar quando há o conhecimento do assunto. Não posso mandar a coitadinha da operadora de telemarketing para o inferno somente por usar o odiado gerúndio. Quem disse que ela está errada? A forma usada por ela não está exatamente da forma que nossa língua culta pede, mas ela se expressa e todos entendem muito bem. Ao mesmo tempo, não vou deixar a infeliz estar usando esta melodia tão bela para meus ouvidos; vou corrigi-la sim, mas utilizando os argumentos que tenho aprendido em sala de aula:

Não existe certo e errado, apenas existem as formas padrão. Nossa língua é passível de mudanças e evoluiu muito desde que surgiu, lá atrás, pelo latim vulgar. É por estes 'errados' que ocorrem mudanças que serão vistas, talvez, somente por nossos filhos.

Não digo que não é importante usar a forma culta da língua - principalmente se você está inserido no mercado de trabalho. É importantíssimo dominar algumas regras básicas, pois elas lhe trazem credibilidade e respeito, nossa sociedade é assim e observa excessivamente isso. O que não vale é ficar cego e criticar meio mundo por causa de um erro.

Será uma longa caminhada. Os gramáticos que me perdoem, mas a apaixonada pela correção aqui está trocando de time. A lingüística consegue explicar e ensinar muito mais, principalmente o respeito pela cultura dos outros; ela permite ver que as coisas mudam, principalmente as variações no idioma, sem criticar e ficar com um pé atrás achando que nossa língua está em decadência.

E, me obrigo a finalizar da mesma forma a qual iniciei o post: estou em cima do muro. Tenho excelentes professores e um conteúdo magnífico elaborado por gente que entende do assunto, como o Saussure. Há apenas mais uma semana de aula, mas me restam mais 2 anos para entender toda essa confusão entre Lingüística x Gramática.

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A vida continua e amanhã é sexta. Tudo está acontecendo tão rápido que mal dá tempo de assimilar. Vamo que vamo.


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