Acordar após 2h de sono, tomar o ônibus até outra cidade, depois taxi. Frio, sono e dinheiro escasso.
Ao encontrar as crianças que acompanharíamos no Hopi Hari, era possível ver o ânimo chegando rapidamente através daqueles sorrisos contagiantes, os pedidos para sentar ao lado e a expressão de quem só queria companhia. Era difícil saber qual delas escolher: meninas de todos os tamanhos, idades, cabelos. Era uma diversidade de alegria que vinha de todas as partes.
'O tia, senta aqui comigo'. Pronto, foi ela a escolhida. Desde o começo pareceu ser divertida, alegre e que, bem no fundo dos olhos, transmitia alguma coisa que me fez querer descobrir o que era. As conversas, abraços, sorrisos, carinhos e cuidados seguiram pelo dia todo. Nem mesmo a fila de aproximadamente 3h30 para um brinquedo - que nem era o melhor - nos desanimou. Tá, até que cansamos muito na espera, mas aquela expectativa que as pequenas criaturinhas que aparentavam ter vindo do céu era tão imensa que rapidamente lembrávamos porque valia a pena seguir em frente.
Foram muitos detalhes, acontecimentos, descobertas. O dia o qual foi planejado para darmos toda nossa atenção e ensinamentos de valores e ética foi revertido. Quem ganhou, aprendeu, se surpreendeu e saiu com o coração transformado foi essa tia, que aceitou o convite para o Dia do Sonho, organizado pela ONG Sonhar Acordado apenas para ter um domingo mais diferente. Não foi diferente, foi inexplicável.
Uma criança, com sorriso doce, olhar meigo, educação inesperada e sem ter braços que a acolha, é inadimissível. E mais inaceitável ainda é saber que não só ela, mas muitas aqui na região - e no mundo - são abandonadas diariamente, mesmo que seja o abandono de carinho, de respeito e de ter alguém para educá-la. Crianças que, aos 9 anos, ainda não sabem ler, escrever, fazer ao menos as 'continhas de mais'.
Crianças que querem apenas alguém para dar a mão e mostrar que há uma outra realidade, um mundo melhor e que o futuro não será tão duro e triste quando a atualidade. Criança tem que brincar. Tem que aprender, tem que ser amada e não desprezada.
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E continua. Ainda tem mais, não parou por aí.
Deus nos criou para mudar, para fazermos diferença.
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>> Sumo Bem, Toca de Assis.
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